Produtos reutilizáveis naturais e biológicos para bebés e mamãs ecológicos.

Fraldas de pano - o que é isso?

Confesso que realmente faltava aqui na nossa loja um artigo sobre o que são as fraldas retilizáveis, e porque se vêm cada vez mais pais a adotar este sistema.

Encontrámos o artigo pelo qual estávamos à espera - escrito por Linda Barreiro no Blog "Eu mãe": http://www.eumae.pt/pt/post/filhos/222948.fraldas.pano  


30 de Março, 2016
 
MÃE BIO-LÓGICA | FRALDAS DE PANO: RETROCESSO OU AVANÇO?
Por Linda Barreiro

Nunca mais me esqueço da cara que a minha mãe me fez quando lhe disse que ía utilizar fraldas de pano no meu filho. Um misto de espanto com reprovação e uma expressão de “ai-nem-sabes-no-quê-que-te-vais-meter-mas-tudo-bem”. Os nossos pais viveram na geração do pano e assistiram in loco à transformação para o descartável, de tal forma que para eles o que é prático é mesmo o descartável. O que eles - e muitas pessoas - desconhecem porém, é que já se passaram muitos anos e que as fraldas de pano tradicionais evoluíram de forma tal que deram origem a diversos modelos e a um sem número de marcas e de materiais muito mais macios e confortáveis para a pele do bebé. Não condeno a minha mãe, afinal de contas até compreendo que há 35 anos - dada a ausência de acessórios que hoje existem e que vieram facilitar muito a vida de quem usa fraldas de pano - as fraldas descartáveis fossem mesmo mais práticas de usar.  

Todavia as fraldas reutilizáveis não são um bicho-de-sete-cabeças só porque depois de mudar o bebe não se colocam no lixo! Ok, parem lá vocês agora de fazer a cara que a minha mãe me fez... Falar de xixis e de cocós passa a fazer parte do quotidiano depois de se ter bebés e é assunto recorrente em qualquer blog de mamãs que se preze por isso até aqui estamos a ir bem!

E não, as fraldas de pano não são um retrocesso, são um avanço, garanto-vos! E são perfeitamente conciliáveis com a vida da mãe ativa (eu sou a prova disso). O importante é sermos bem informados e aconselhados e munirmo-nos de todos os acessórios necessários e a única preocupação extra que temos de ter é a de colocá-las para lavar, tratando-as da mesma forma que tratamos outra roupa.

Na verdade há fraldas reutilizáveis para todos os gostos, para todas as carteiras, para todo o tipo de utilizadores, sejam mães, pais, amas ou educadoras e para todo o tipo de bebés: do mais magrinho ao mais rechonchudinho.

 

As principais vantagens das fraldas de pano traduzem-se em:

Maior bem-estar do bebé - Os materiais das fraldas, nomeadamente as de fibras naturais tais como bambú, algodão ou cânhamo, são mais respiráveis, permitindo uma maior absorção da humidade e uma maior suavidade ao toque.
Excelentes na prevenção de alergias, assaduras ou fungos na pele do bebé - As fibras naturais evitam o sobreaquecimento (na zona genital) que o material das fraldas descartável pode causar (basta pensarmos no aquecimento causado quando usamos pensos higiénicos para facilmente deduzir o comportamento das fraldas descartáveis na pele do bebé).
Muito mais amigas do ambiente - Um bebé produz, em média, 1 tonelada de fraldas em média por 2 anos. O relatório da Life Cicle Assessement (LCA), publicado em 2008, concluíu que as fraldas reutilizáveis são 40% mais ecológicas para o ecossistema, quando comparadas com as fraldas descartáveis.
Maior economia - Na carteira as fraldas reutilizáveis também ganham às fraldas descartáveis pois para além de poderem ser usadas em mais do que um bebé, também podem ser adquiridas num mercado de segunda-mão (que muita gente desconhece) onde é possível comprar (e até trocar) fraldas a preços que vão desde o razoável ao barato e em excelentes condições.
 

As fraldas de pano da era moderna estão muito à frente das fraldas do tempo das nossas mães e das nossas avós. O sistema de fraldas mais antigo - a musselina - continua a ser um dos métodos muito utilizados ainda (e preferidos por muitas pessoas) pela facilidade de secagem no inverno e até pela economia, no entanto os exteriores, as capas, sofreram alterações monumentais.

Cá em casa usamos fraldas reutilizáveis desde recém-nascido mas em exclusivo, vulgo a 100%, a partir dos 3 meses mais coisa menos coisa. Inicialmente emprestaram-me umas fraldas de recém-nascido para experimentar e depois fui estudando as inúmeras possibilidades. Adquiri fraldas de diferentes tipos, modelos - uma de cada sistema - para perceber quais gostava mais e quais os que assentavam melhor no meu filho. Uma vez testadas foi só começar a fazer opções e a compor o meu stock.

O admirável mundo novo das fraldas reutilizáveis não tem fim e pode à primeira vista parecer complicado para iniciantes. Na verdade se não recorrermos às fontes de informação certas, se não tivermos o devido apoio ou se não formos bem aconselhados podemos acabar por não fazer as escolhas certas e desanimar.

O melhor conselho que posso deixar para principiantes é o de se juntarem ao grupo do Facebook - Fraldas Reutilizáveis, uma biblioteca ativa sobre fraldas com testemunhos, partilha de experiências e muita entreajuda entre mães na mesma situação que nós. Foi lá que aprendi tudo o que sei sobre fraldas, que fiquei a conhecer todas as marcas e que aprendi todos os truques.

Para a semana irei falar dos diferentes tipos de fraldas e sistemas que existem e quais os nossos preferidos, assim como deixar as melhores dicas para quem se quiser começar a aventurar nesta odisseia. Para já deixo-vos com algumas diferenças, no que toca a acessórios e procedimentos, entre as fraldas de há 40 anos e as fraldas reutilizáveis atuais.

As cuecas plásticas - como assim eram chamadas – (um bocado de borracha rijo da Chicco como ainda tenho 2 exemplares em casa) deram lugar a capas maleáveis e confortáveis que ajustam (com vecro ou com molas) e que podem ser de diversos materiais mais baby friendly, inclusivé de algodão orgânico. Muitas capas da era moderna também têm reforço nas pernas, ou reforço anti-fugas, para evitar que o xixi saia fora da capa.
 

O alfinete-de-ama já não existe. Aquela “arma de arremesso” para bebés e adultos deu lugar ao popular snappy,um apetrecho de borracha elástica (com dentes que apanham a fralda em 3 lados mantendo-a sempre apertada) ou então aos boingos, um sistema de gancho semelhante mas que somente apanha a fralda em 2 lados.
 

A questão prática das saídas de colocar a fralda no lixo e ficar sem cheiros também é facilmente resolvida através dos sacos de transporte. São sacos impermeáveis e isolantes onde se podem guardar fraldas sujas livres de cheiros.
 

A parte dos cocós agarrados à fralda também deixa de existir a partir do momento que existem os liners. Os linerssão folhas de papel (que podem ter diversas composições desde o bambú, à celulose passando pelo amido de milho). Os liners removem-se da fralda e são colocados diretamente na sanita evitando cheiros desagradáveis e manchas de maior nas fraldas.
 

A trabalheira de colocar as fraldas de molho logo depois de usar, como faziam as nossas mães, também já não faz sentido. Hoje em dia sabe-se que este procedimento favorece a proliferação de bactérias por isso não é está recomendado. Atualmente existem baldes, onde se colocam sacos impermeáveis (próprios para balde) e para colocar as fraldas usadas. Quando o balde está cheio faz-se uma máquina de roupa de fraldas com o saco e tudo. Saibam que os baldes não deitam cheiros, contudo para os mais sensíves pode-se colocar um paninho dentro do balde, com 1 gota de um óleo essencial para que fique perfumado.
 

Para a noite existem os chamados fleeces, outrora já existiam creio. A minha mãe fala-me que eram em forma de triângulo e que se colocavam de noite mas diz que não têm nada a ver com estes novos. Fleeces são retângulos de poliester que se colocam de noite (ou sempre que se queira que a pele do bebé em contato com a fralda não fique molhada) para que o rabinho do bebé fique sempre seco, um efeito igualzinho ao “sempre seco” da Dodot mas com pano!.
 

As fraldas não têm necessariamente de ser pré-lavadas à mão com sabão, como a minha mãe me diz que fazia sempre. Vai tudo do balde para a máquina diretamente, faz-se uma pre-lavagem e está pronto.
 

Por último as nossas mães e avós passavam as fraldas de pano a ferro, porque acreditavam que ficavam mais macias para estarem em contato com a pele do bebé. Este procedimento também não é aconselhado atualmente. A goma do ferro retira alguma da absorção das fraldas por isso menos trabalho ainda do que antigamente!
 

A minha mãe rendeu-se completamente às fraldas de pano assim que começou a conhecer e a tomar contato com esta realidade revisitada e a sua expressão inicial de admiração virou conversa de café com as amigas dizendo orgulhosa que o neto só usava fraldas de pano!

 

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